Após um dia de expectativas pelo diálogo entre os manifestantes que protestam há 11 dias no Equador e o governo de Lenín Moreno, o presidente recuou e revogou o decreto que retirava o subsídio aos combustíveis. A medida deve pôr fim aos distúrbios que atingiam o país.

A alta de até 123% foi o estopim dos atos realizados nas principais cidades equatorianas. Depois da conversa com os líderes indígenas, e um intervalo de mais de uma hora, Moreno declarou que é inválido o decreto 883, e que este será substituído por um novo texto, a ser redigido por uma comissão, que foi formada na noite deste domingo (13).

Moreno havia sido pressionado pelo líder indígena Jaime Vargas, que disse que o grupo não continuaria conversando e seguiria os protestos de rua caso o decreto não caísse.

“O bem mais valioso que temos é a paz, e eu valorizo a paz como valorizo o sacrifício dos irmãos indígenas”, afirmou.

“Aprendi a amar os indígenas quando era pequeno, sempre admirei sua sabedoria e respeito sua cultura”, disse Moreno, com um tom mais calmo e conciliador do que no início da reunião.

Antes da decisão que deve mudar o cenário turbulento, o Equador viveu um dia de incerteza. Indígenas e governo começaram a conversar no fim da tarde (início da noite no Brasil), num local nas redondezas de Quito. Com a cidade militarizada, o acesso à reunião estava restrito, sem permissão de participação da imprensa.

A retirada dos subsídios aos combustíveis era parte de um pacote de ajustes para cumprir metas acertadas com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O Equador pediu ao fundo empréstimo de US$ 4,2 bilhões.

Para os indígenas, a derrubada do decreto que retira o benefício era item essencial para seguir conversando. O governo primeiro disse que não o anularia e ofereceu outras medidas para amenizar os efeitos do aumento. Depois, diante da violência dos atos, afirmou que “poderia rever” partes do decreto, até por fim ceder aos manifestantes.

No início das conversas deste domingo, Moreno afirmou que “os mais ricos e os traficantes de gasolina” eram os que mais se beneficiavam do subsídio aos combustíveis. “Se isso também está afetando os mais humildes, temos que dialogar. Mas não é justo que esses grupos poderosos fiquem ainda mais poderosos com o subsídio”, disse.
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Representando os manifestantes, Jaime Vargas, presidente da Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador) declarou que “foram violados direitos humanos e artigos da Constituição”. “Pedimos que isso seja incluído nessa discussão.”

Mais tarde, o mediador do encontro perguntou a Vargas se aceitaria integrar uma comissão de trabalho pela paz. Ele respondeu que não tinha sentado ali para entrar em comissões, e sim para convencer Moreno a voltar atrás sobre os combustíveis. E ameaçou: “Basta derrubar o decreto que acabam as manifestações. Senão, continuaremos mobilizados.”

O começo do dia em Quito foi de cidade deserta, devido à ampliação do número de militares e ao toque de recolher imposto na véspera. A medida vigoraria até as 15h de domingo; depois, foi estendida até as 5h desta segunda (14).

Mesmo com essa determinação, alguns grupos continuaram nas ruas e houve confusão, com o incêndio de um veículo da polícia, sem mortos ou feridos, e distúrbios registrados nos arredores de Quito, como nos municípios de Tumbaco e Cumbayá, onde casas e comércio foram atacados por grupos de encapuzados.

No domingo, as estradas para entrar na cidade ou sair dela estavam fechadas, e era necessário obter uma permissão para atravessar os bloqueios montados pelos militares.

Todos os voos internacionais foram cancelados, e turistas tiveram de prolongar a sua estada.

Segundo a Defensoria do Povo, o número de mortos na repressão subiu para 7, todos eles manifestantes.

Fonte: BocaoNews

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