Uma extensa programação cultural marca as celebrações do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado hoje (20 de novembro). Tanto no quilombo de Helvécia, no município de Nova Viçosa que desde o último dia 1º vem realizando uma programação folclórica singular, inclusive com a realização neste final de semana do encontro nacional de capoeira, comandado pelo mestre Reginaldo Cecílio, quanto no quilombo de Vila Juazeiro, no município de Ibirapuã, onde a semana da consciência negra traz também uma extensa programação cultural, mantendo a tradição de todos os anos.

Outros quilombos da região nos municípios de Caravelas e Alcobaça vêm contando com a participação de atrações e apresentações de grupos culturais e religiosos para marcar o 20 de novembro, onde uma série de atividades culturais estão movimentando as comunidades. A Secretaria Municipal de Educação de Nova Viçosa, por exemplo, realiza nesta terça-feira (21), a “Parada Afro Cultural Negro Olhar, no distrito de Posto da Mata em homenagem aos artistas da música afro da Bahia. “A importância destes eventos se dá em um momento de necessária visibilidade destas comunidades em torno de sua identidade como meio para acesso a políticas públicas, e, efetivamente, de combate ao racismo”, destaca a professora mestra Jessyluce Cardoso, secretária Municipal de Educação de Nova Viçosa.

Para a Fundação Mamãe África de Caravelas, principal entidade que defende as políticas das comunidades tradicionais no extremo sul da Bahia, este ano, as comemorações têm sabor especial, já que a SEPROMI – Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial ampliou recentemente o diálogo com as comunidades quilombolas do extremo sul baiano no cumprimento dos marcos legais que hoje orientam o Estado na aplicação de políticas de reparação específicas, a exemplo daquelas expressas no Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, amparando as comunidades, principalmente, na defesa do território.

Conforme a Fundação Mamãe África de Caravelas, a expectativa é de que o estabelecimento da nova parceria estimule a vinda de investimentos e de infraestrutura para as localidades. A Fundação Mamãe África de Caravelas trabalha com a Fundação Palmares, Ministério da Cultura e as associações de quilombolas da região, para lançar em 2018, um calendário turístico de visitas guiadas aos quilombos do extremo sul, objetivando reconstituir a história do legendário quilombo, palco da luta de Zumbi e de milhares de negros contra a escravidão.

“Queremos capacitar guias para contar esta história tão rica e promover atividades constantes que atraiam visitantes a estes lugares. Pretendemos transformar Helvécia, Rio do Sul, Vila Juazeiro, Volta Miúda e tantas outras comunidades remanescentes de quilombolas em pontos turísticos mais visitados para cultura brasileira”, lembrou o jornalista Rubens Floriano, vice-presidente do conselho administrativo da Fundação Mamãe África de Caravelas.

Atualmente cursos tem fortalecido a identidade da cultura negra no Brasil com a implantação de Núcleos de Formação de Agente Cultural da Juventude Negra (Nufac) que é uma ação da Fundação Cultural Palmares (FCP), autarquia ligada ao Ministério da Cultura e que estabelece parceria com diversas outras instituições brasileiras do gênero. A iniciativa permite a formação de jovens negros para o mercado de cultura. O projeto tem objetivo de fortalecer a identidade das populações com risco de perda de suas tradições. Neste caso, o curso foca nas manifestações de matriz africana, com suas roupas, instrumentos e objetos de representação simbólica cultural e religiosa. Para a Fundação Mamãe África de Caravelas, a formação de jovens negros em cultura, além de uma oportunidade profissional, pode prevenir vulnerabilidades e promover o resgate da cultura afro-brasileira.

Comemorado em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra marca o dia da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695, após anos defendendo o Quilombo de Palmares de expedições que pretendiam escravizar, novamente, os negros que conseguiram fugir. Desde 2003, com a aprovação da Lei 10.639, que instituiu o ensino da História e Cultura Afro-Brasileiras nas escolas, a data foi incluída no calendário escolar como o Dia Nacional da Consciência Negra. Atualmente o Projeto de Lei nº 296/15, do deputado federal Valmir Assunção (PT/BA), está em tramitação para transformar a data em feriado nacional. Aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, o projeto segue agora para análise do Plenário da Câmara dos Deputados.

“O feriado é importante”, afirma o autor do projeto. De acordo com ele, o Brasil precisa pensar em atitudes reparatórias e “assumir o seu racismo”, deixando “de lado o discurso de democracia racial” que, para ele, não se sustenta quando, por exemplo, a maioria das vítimas de homicídios é negra ou quando entidades representativas de setores comerciais e industriais se organizam para derrubar um feriado que lembra a luta da população negra no país. “A Consciência Negra não é dizer que os negros contribuíram para a formação e desenvolvimento do país, é ter consciência de que os negros foram os primeiros trabalhadores do Brasil, que foram os negros que construíram o país”, diz Valmir Assunção. (Da redação TN).

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here